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tunel de uma barragem com formato redondo

Vortex

2015
4 Impressões jacto de tinta sobre papel Fine Art
109 x 73 cm

tunel de uma barragem em formato quadrado

Em Vortex, para além da percepção imediata dada pelas imagens, reflecte-se a qualidade estética de uma ação profundamente disruptiva, o acto de esventrar montanhas para condicionar as águas. Visualizados nesta série fotográfica, os túneis subterrâneos da indústria elétrica colocam-nos no limiar da fantasia. Ficamos diante destas imagens como desapossados do chão terrestre, petrificados entre o imaginário habitado por filmes de ficção científica e a sensação virtual dada pela proximidade dos buracos negros. Podem ser apenas passagens, grutas ou vulcões, mas há nestes lugares misteriosos riscos sublimes que a vertigem do olhar nos incita a percorrer.

A poética dos espaços subterrâneos é em primeira instância o lugar dos seres ctónicos e obscuros, mas também é através deles que devaneamos com a irracionalidade das profundezas. Talvez por isso, os sonhos venham dos espaços diurnos e os pesadelos das entranhas labirínticas da terra.

À semelhança dos corpos, há veias de cimento que se conectam entre si, e zonas limítrofes por onde só escorre água e humidade. Tal como na pretensão do voyeur, as imagens destes túneis depurados concentram as energias do olhar, e obrigam-nos a mergulhar nos seus precipícios imaculados. Do outro lado há figuras enigmáticas, ou pupilas distantes, que se ligam enfaticamente ao nervo óptico da nossa visão. Entre nós e as imagens há um sorvedouro luminescente.

Texto: Rui Ibañez Matoso
tunel de uma barragem com uma formacao de calcario ao fundo com forma de santa
turbina verde de uma barragem